O Museu Brasileiro da Escultura, de Paulo Mendes da Rocha, é um projeto intrigante, ele consegue ser simples e complexo ao mesmo tempo, simples quanto à forma e solução e complexo no trato com o terreno, na maneira como recria a topografia do lugar. Todo o programa do museu está distribuído em um falso-subsolo que recria os limites e a superfície do terreno e o único elemento que marca o lugar é uma marquise de concreto de sessenta metros de vão livre com apenas dois pontos de apoio. Esse grande prisma de concreto protendido aparente, além de marco visual, também tem o papel simbólico de abrigo e, a meu ver, também é uma escultura.
Todo o espaço procura evidenciar as esculturas que expõe, sendo plano de fundo para a obra de arte, mas sem ser neutro. O paisagismo, assim como a paginação de piso e o próprio edifício criam lugares de contemplação e plataformas de exposição.
Paulo Mendes queria em seu projeto estabelecer uma relação direta com o entorno, se tratando de um terreno de esquina, e o Museu da Imagem e do Som, com o qual o MuBE é vizinho, fazendo da praça do museu uma praça pública. Porém, a administração do Museu da Escultura, mesmo sob críticas, fechou todo o limite do MuBE com grades, e isso acabou com parte do conceito de museu-praça que Paulo Mendes buscava. Mas, má administração a parte, o Museu Brasileiro da Escultura é uma obra de grande valor arquitetônico que impressiona arquitetos e não-arquitetos por sua escala e monumentalidade, e quanto às grades, espero o dia que sejam arrancadas.

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