quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

PARQUE DA JUVENTUDE - ARQUITETOS AFLALO & GASPERINI E ROSA KLIASS


Quando chegamos ao Parque da Juventude, que foi feito no lugar onde existia o Centro de Detenção do Carandiru, me lembrei de já ter visto aquele parque no livro da paisagista Rosa Kliass, e estando lá, me surpreendeu o modo como trabalhou para transformar as ruínas de uma antiga penitenciária em um lugar tão agradável. Os taludes feitos com os entulhos da demolição, o passeio pela antiga muralha de vigilância do presídio, as ruínas de um dos blocos de celas que nem chegou a ser construído, as referências do passado permanecem em outro contexto. O paisagismo tomou partido do que existia para se fazer um lugar novo sem se apagar o que aquilo foi um dia. 


Na área destinada aos equipamentos esportivos, me chamaram atenção detalhes como a grade de proteção das quadras que não cercava e isolava o espaço, mas apenas desempenhava o seu papel de proteger os transeuntes das bolas usadas nas quadras, com sua tipologia fragmentada. Todos os pavilhões e equipamentos do parque obedecem à mesma linguagem, são feitos basicamente de perfis e detalhes metálicos e concreto aparente, o que dá certa identidade ao lugar.
Percorrendo a área de equipamentos esportivos um fato curioso me chamou atenção, um grupo de crianças brincava nas rampas de skate que haviam empoçado a água das chuvas, quando indagadas se o lugar era bom responderam “sim, a água é até quente” e que “parecia até uma piscina de verdade”, ou seja, elas, como usuárias, deram um novo uso a uma pista de skate alagada. Talvez nem soubessem que o skate surgiu em piscinas na Califórnia e que elas estavam sugerindo um novo uso, de uma maneira infantil, em um lugar que havia nascido dessa busca pelo novo. O Parque da Juventude também surgiu dessa mesma premissa de transformar o que já existe em algo novo, com outro uso, aproveitando o que o lugar oferece.


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