A Pinacoteca do Estado faz parte daquela classe de edifícios que são por si só uma “aula de arquitetura”. A monumentalidade de uma construção do final do século XIX, projetada por Ramos de Azevedo para abrigar o Liceu de Artes e Ofícios de São Paulo, somada à intervenção de Paulo Mendes da Rocha para que o prédio se adequasse às necessidades contemporâneas de uma Pinacoteca, com técnicas e materiais atuais torna o prédio um documento que explicita tanto as técnicas construtivas do passado quanto as do presente, além de ser um manifesto de restauração e intervenção em prédios antigos.
A opção de Paulo Mendes da Rocha por evidenciar a alvenaria auto-portante em tijolos de barro, descascando o reboco do edifício, nos permite ver a técnica utilizada nos séculos passados, a robustez das paredes e os caprichos da justaposição dos tijolos. Sua intervenção, feita com aço, um material industrial contemporâneo, otimizou a beleza já existente na estrutura antiga e dinamizou o uso do espaço. As passarelas de aço ligando os pisos através dos vãos dos pátios, a cobertura de metal e vidro que criou áreas com grande pé-direito e iluminação natural e os elevadores são intervenções que não se confundem com a construção pré-existente e que anunciam a sua data de execução.
Nenhum comentário:
Postar um comentário