quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

SESC POMPÉIA - ARQUITETA LINA BO BARDI



No SESC Pompéia, o que mais me chamou a atenção, antes mesmo dos detalhes de sua arquitetura, foi o uso do lugar: crianças, adultos e idosos freqüentavam e utilizavam o espaço, dando-o vida. Está ali um bom exemplo de uma proposta arquitetônica que deu certo. Ateliês, biblioteca, área de exposições, espaços para descansar e praticar esportes, todos eles em intenso uso em um lugar onde antes funcionava uma fábrica de tambores, que é outro fato curioso, todos aqueles galpões não foram pensados para ser um centro cultural, a princípio eram um ambiente industrial, que quando foi desativado e proposto que virasse um centro de lazer, a “arquiteto”, como gostava de ser chamada, Lina Bo Bardi teve a sensibilidade de enxergar suas qualidades. Conta ela, em um texto de 1986, que quando visitou o lugar, além de ver toda aquela linda estrutura industrial de tipologia inglesa e de estrutura em concreto armado, também viu que:
 “...um público alegre de crianças, mães, pais, anciãos passava de um pavilhão a outro. Crianças corriam, jovens jogavam futebol debaixo da chuva que caia dos telhados rachados, rindo com os chutes da bola na água. As mães preparavam churrasquinhos e sanduíches na entrada da Rua Clélia; um teatrinho de bonecos funcionava perto da mesma, cheio de crianças. Pensei: isto tudo deve continuar assim, com toda esta alegria.” Lina Bo Bardi
O sucesso dessa obra, que é intensamente utilizada até hoje, como pude comprovar, deve-se ao talento de Lina como arquiteta, projetista, e, sobretudo, à sua capacidade de percepção, que enxergou em galpões abandonados de uma antiga fábrica, o potencial de se transformarem em uma “fábrica de cultura”.


Continuando a caminhar na movimentada rua interna de paralelepípedos da Fábrica da Pompéia, que está entre os dois belos pavilhões fabris que abrigam o restaurante, a área de exposição, a biblioteca, o teatro e as oficinas, chegamos até um grande deck de madeira onde encontramos crianças brincando e jovens e idosos tomando sol, parecia uma verdadeira praia, à esquerda podia-se ver melhor aquela grande estrutura de concreto aparente que antes se anunciava por entre os telhados dos pavilhões. É o conjunto esportivo, que é composto por duas torres que se “abraçam” por passarelas, também de concreto armado aparente. A torre de esportes foi projetada para abrigar quatro quadras, cada uma com as cores de uma estação do ano, e uma piscina coberta no térreo. Hoje, uma das quadras, a quadra outono, foi descaracterizada para dar lugar a uma academia de ginástica no mais belo estilo “classe-média”, com uma textura falsa de madeira na parede formando a siga SESC que fariam Dona Lina arrepiar de desgosto, logo ela que dizia abominar todas essas texturas artificiais burguesas, a academia parecia acabar de ser inaugurada e a meu ver, não prometia durar muito, o que me espanta e preocupa é como foi autorizada essa descaracterização.


Voltando para a Rua Clélia pela rua interna do SESC passamos pelo teatro e pudemos ver as arquibancadas dos dois lados do palco, com a famosa cadeira de madeira desenhada por Lina com o objetivo de “distanciar e envolver” o público, e não apenas sentá-lo. E no restaurante pudemos experimentar outro mobiliário de Lina, as mesas comunitárias, que possibilita que se divida a mesa com qualquer um, aproximando as pessoas, e não às dividindo. Foi lá também que pudemos apreciar obras de um conterrâneo de Uberlândia, as tecelagens de Edmar de Almeida coloriam todo o ambiente do restaurante, e é empolgante pensar que alguém tão próximo, de Uberlândia, também fizesse parte de uma obra tão bonita e bem sucedida como o SESC Fábrica da Pompéia.

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