“...um público alegre de crianças, mães, pais, anciãos passava de um pavilhão a outro. Crianças corriam, jovens jogavam futebol debaixo da chuva que caia dos telhados rachados, rindo com os chutes da bola na água. As mães preparavam churrasquinhos e sanduíches na entrada da Rua Clélia; um teatrinho de bonecos funcionava perto da mesma, cheio de crianças. Pensei: isto tudo deve continuar assim, com toda esta alegria.” Lina Bo Bardi
O sucesso dessa obra, que é intensamente utilizada até hoje, como pude comprovar, deve-se ao talento de Lina como arquiteta, projetista, e, sobretudo, à sua capacidade de percepção, que enxergou em galpões abandonados de uma antiga fábrica, o potencial de se transformarem em uma “fábrica de cultura”.
Continuando a caminhar na movimentada rua interna de paralelepípedos da Fábrica da Pompéia, que está entre os dois belos pavilhões fabris que abrigam o restaurante, a área de exposição, a biblioteca, o teatro e as oficinas, chegamos até um grande deck de madeira onde encontramos crianças brincando e jovens e idosos tomando sol, parecia uma verdadeira praia, à esquerda podia-se ver melhor aquela grande estrutura de concreto aparente que antes se anunciava por entre os telhados dos pavilhões. É o conjunto esportivo, que é composto por duas torres que se “abraçam” por passarelas, também de concreto armado aparente. A torre de esportes foi projetada para abrigar quatro quadras, cada uma com as cores de uma estação do ano, e uma piscina coberta no térreo. Hoje, uma das quadras, a quadra outono, foi descaracterizada para dar lugar a uma academia de ginástica no mais belo estilo “classe-média”, com uma textura falsa de madeira na parede formando a siga SESC que fariam Dona Lina arrepiar de desgosto, logo ela que dizia abominar todas essas texturas artificiais burguesas, a academia parecia acabar de ser inaugurada e a meu ver, não prometia durar muito, o que me espanta e preocupa é como foi autorizada essa descaracterização.
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