E a aula de arquitetura inevitável que se tem apenas por vivenciar aquele espaço projetado por Artigas veio acompanhada por uma aula de patologias do concreto e restauro do patrimônio moderno, pois o prédio está em péssimo estado de conservação e a cobertura apresenta sérios problemas de infiltração. Por esse motivo nossa professora, Bia Cappello, convidou para uma conversa a professora da FAU-USP Beatriz Kuhl, que além de apresentar os problemas do prédio, também nos apresentou as possíveis alternativas para o restauro da cobertura da FAU.
Beatriz Kuhl nos disse que os problemas existentes hoje no prédio já começaram em sua construção, que foi sucessivamente adiada e paralisada durante a década de 1960, essa não continuidade da execução da obra gerou problemas como infiltrações acarretadas por juntas frias na concretagem da cobertura, ou seja, antes mesmo de ser inaugurado, o prédio já apresentava infiltrações. Além disso, foi descoberto recentemente após a abertura dos pilares internos, que foi executada somente a metade da tubulação de escoamento das águas pluviais, onde era pra se ter dois tubos de escoamento de água, há somente um. Depois de inaugurado foram somados os anos em que não se houve nenhum tipo de manutenção e as posteriores sucessivas impermeabilizações mal executadas que não resolveram o problema e geraram deformações na cobertura, que hoje, além de deformada em vários eixos, apresenta também áreas de empoçamento de água, infiltrações, inclusive dentro dos caixões perdidos das vigas, e goteiramento, seguido pela formação de estalactites e estalagmites que acontecem pelo desprendimento de calcário que a água faz no concreto.
Ela disse haver projetos para o restauro da cobertura, recuperando as vigas, retirando a água infiltrada e a impermeabilizando novamente. Disse também, existir projetos polêmicos que contam com uma segunda cobertura a ser construída sobre a original. E nessa discussão sobre qual alternativa adotar, mais ou menos invasiva, mas que seja eficiente, nota-se que estão em fase de estudo sobre que medida de restauro tomar, e que a decisão final ainda levará um tempo.
Andando pela FAU pude ver como Artigas pensou um prédio voltado para o ensino de arquitetura, onde cada espaço foi projetado segundo o que ele pensava ser melhor para se ensinar e aprender a profissão de arquiteto. As salas de aula teórica, os espaços de ateliê e até as áreas comuns de convivência como o grêmio e o salão caramelo, tudo ali é funcional e proporcional. Quem dera todas as faculdades de arquitetura, inclusive o nosso Bloco 1I, fossem tão bem resolvidas quanto o prédio da FAU...
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